(SilvioSaint) Herdeira do Antigo Mundo

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Mensagem por SilvioSaint em Dom Jan 28, 2018 12:38 am


Herdeira do Antigo Mundo
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        Magincka, uma ilha lendária e há muito tempo esquecida, que viveu seus tempos de glórias pela sua incrível forma de tecnologia avançada e a primeira a desenvolver uma forma de interação direta com as criaturas selvagens que os conhecidos ignorantes temiam. Mesmo com todo esse potencial, essa veio a desaparecer do mapa, de repente, sendo que ninguém da atualidade sabe dizer se esta realmente existiu ou se é apenas uma história para contar como a humanidade funcionava antigamente. Esse povo depositava suas almas dentro de um cristal de poder desconhecido e conseguia conciliar com o espirito de um pokémon, mas apenas 1 em cada 1 milhão tinha talento para essa arte, os mais poderosos conseguiam dissipar suas almas em diversos cristais para ter controle sobre mais que um pokémon. Aqueles que tinham esta determinada peculiaridade eram chamados de "Combatentes Cristalinos" e ocupavam o cargo mais alto do grande exército Maginckano, no entanto, a cobiça de um destes foi a ruína de toda uma era de prosperidade. Belroch, o que posteriormente ficou conhecido apenas como imperador tirano, traiu o exército e usou do seu demasiado poder para expurgar todos os outros Combatentes Cristalinos existentes, trazendo uma época abusiva e regressiva para aquele povo, mas esse não era realmente o que deu o fim a Magincka...
      Mas tudo isso poderia mudar através das mãos de uma garota humilde de Kanto, que depois da morte de um homem que vivia isolado descobriu ter herdado todos seus pertences. A Harvest foi confiado um diário que na capa frontal tinha o título "Antigo Mundo", contando a história daquele continente chamado Magincka e que lhe trazeria terríveis verdades que não só afetaram a vida passada, mas também poderia destruir tudo que ela conhecia. Será que uma simples menina de origem pobre conseguiria mudar o destino do seu mundo e trazer a tona a história gloriosa de um passado perdido?

Personagens:
Harvest:

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História: -
Idade: 13
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Nebula:

(SilvioSaint) Herdeira do Antigo Mundo CYTaLSI

História: -
Idade: 16
Pokémons: -

Capítulos:

Season One
Capítulo 1: Um Começo Curioso
Capítulo 2: ???
Capítulo 3: ???
Capítulo 4: ???
Capítulo 5: ???
Capítulo 6: ???
Capítulo 7: ???
Capítulo 8: ???
Capítulo 9: ???
Capítulo 10: ???

Em construção...



Última edição por SilvioSaint em Seg Jan 29, 2018 10:56 pm, editado 1 vez(es)
SilvioSaint
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Mensagem por SilvioSaint em Seg Jan 29, 2018 10:46 pm




'Será que uma simples menina de origem pobre conseguiria mudar o destino do seu mundo e trazer a tona a história gloriosa de um passado perdido?
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T R E I N O

Capitulo I
Um Começo Curioso

Já completavam-se duas semanas desde que Harvest descobrira que havia herdado todos os pertences de um homem que nem mesmo chegou a conhecer. Agora ela se encontrava em uma sala vazia e empoeirada. Queria entender o que estava fazendo alí. A algumas horas chegara a procura de objetos que lhe chamassem a atenção, mas o local escuro e sombrio fez todo seu interesse se dissipar. Nascida e criada em Kanto, ela se sentia bem com seu simples estilo de vida. A jovem, doce e humilde, sempre tentava ajudar sua mãe, devido as suas circunstâncias de vida. Por vezes, passava horas observando a natureza que a rodeava, e nunca chegou a imaginar que o casabre afastado da cidade, o qual ela sempre teve curiosidade de conhecer, traria um futuro inesperado. Com uma semana da morte do tal homem desconhecido, até então, ela foi revelada como a herdeira de seus pertences. Agora, já habituada com a situação, olhava as caixas cabisbaixa, vasculhando o que era de seu interesse. Olhou algumas caixas e estantes, até se deparar com uma gaveta semi-aberta, parecia emperrada. Com um pouco de força ela conseguiu abrir o comodo num solavanco revelando um diário de couro, meio desgastado. "Antigo Mundo", era o que ela conseguia ler numa letra cursiva quase apagada pelo tempo.

Um toque ligeiro da ponta de seu dedo sobre a capa de couro empoeirada daquele livro foi o suficiente para trazer ao corpo de Harvest uma sensação nunca sentida antes, sua pulsação aumentou e logo ela sentiu uma conexão inesperada com o objeto, como se estivesse destinada a este. Enquanto estava perdida em entender parte de seus sentidos, foi interrompida com o passar dos pés de um homem alto que tinha um bigode engraçado, postura completamente ereta e de maneiras totalmente educadas. Ela estava naquela casa a pouco tempo e pensou que fosse um invasor, todavia não teve tempo para formar esses pensamentos malignos sobre o próximo.

— Madame, permita-me me apresentar... George, era o mordomo do antigo dono desta residência e passarei a servir a senhorita a partir desse momento - Os olhos deste vageavam por todo o cômodo, desprezando a sujeira que ali se acumulara, até encontrar o livro que estava a palma da mão de Harvest -Vejo que não fez cerimônias. O meu antigo senhor achava de suma importância que você lesse de imediato esse objeto. Enfim, do que precisar me grite, não sou o mais rápido, mas definitivamente o mais caprichoso.

Harvest percebeu que aquele homem não dava muitas chances abertas a conversas, mesmo assim deu de ombros. Ela estava interessada naquilo que acabara de tomar sua atenção, não podia resistir a tentação de abrir aquele livro, o que logicamente ela fez momentos depois. Abriu-o de forma lenta mas ainda sim exasperada, e pois-se a ler os parágrafos organizados e legíveis.

— — —

Maginka, a ilha lendária, tecnológica, espiritual. Um reino cheio de glória que caiu em ruínas, devido a ganância. Antes protegida por Combatentes hábeis, agora oprimida por sombras. A Terra habitada por almas humildes e castigadas, tinha um passado soterrado que ninguém ousava sitar em contos ou histórias. Nada que Korin, precisasse saber. Pelo menos, não agora. Na terra nada farta, o silêncio da tarde era interrompido pelo ruído de duas crianças que corriam, riam e saltitavam pelo terreiro. Korin e Khasam estavam animados fingindo serem soldados severos. Os fios desgrenhados da cor de mel em sua cabeça, estavam molhados de suor e seus olhos mostravam toda animação que ele sentia naquele momento, estar com seu irmão era de longe sua atividade favorita. Os dois alimentavam um sonho, de se juntar ao exército, carregar aqueles armamentos macabros que inspiravam medo aos demais habitantes de Maginka, era para as crianças os mais valiosos sinais de bravura e força. Enquanto eles estavam alí, nem viam o tempo passar, tudo o que se aproximara era abstrato.

— Criança tola, eis que sentirás a ira de minha espada - Korin investia com ferocidade, balançando sua espada num arco de cima para baixo, entretanto que foi defendido facilmente por seu irmão mais velho.

— Criança, respeite-me - Inclinando sua espada num movimento angular vertical, Khasam fez com que a arma de seu adversário deslizasse rapidamente sobre a sua e o peso de Korin o fez cair. Khasam esticou sua espada apontando para o pescoço de seu irmão em seguida -Perdeu para mim novamente, tem coisas que nunca mudam.

Os dois se encaravam num fervor que quase aparentava ódio por minutos, mas tudo se irrompeu em gargalhadas pois os mesmos não aguentavam se manter naquela compostura de soldados severos e honrados. Um homem de meia idade vinha de dentro do pequeno chalé que estava logo ali, próximo ao corpo dos garotos que brincavam. Ele batia palmas com uma força tremenda para exibir um estrondo pesado de suas mãos. Os rapazes logo se levantaram e entraram em postura, respirando fundo e fazendo um silêncio enorme em obediência ao que aparentava ser um comando.

— Ainda brincando? Eu pensei que tivesse mandado vocês dois buscarem a janta de hoje - O grito estrondoso que podia se ouvir das outras distantes casas da vila fez o corpo dos jovens rapazes tremerem. Mesmo o sermão sendo direcionado para ambos, um desdém incomum era endereçado a Korin, o mais jovem e mais fraco dos filhos. O velho se aproximava deste, abaixando seu corpo para encarar-o bem nos olhos - Escute aqui, pequenino, não atrapalhe o foco de seu irmão, sei que você é um inútil mas seu irmão... Sim, ele tem um futuro brilhante como guerreiro do império, você, pelo menos, não entre no caminho ou te castigarei como você castigou sua mãe ao nascer.

O homem cuspia aos pés de Korin, que recebia tudo aquilo com frieza e calmaria, pois claramente já estava acostumado com aquele tipo de situação, já que a mãe deste morreu ao dar a luz ao mesmo e o pai culpava-o por tal acontecimento até os dias de hoje. Momentos depois se afastou, movimentando sua mão em movimentos de expulsão para os jovens. Eles pegavam os arcos e flechas, partindo em seguida para a floresta para possivelmente a última caçada desses juntos. Isso porque nos próximos dias a caravana recrutadora do império chegaria a vila e levaria os jovens mais promissores para ingressarem no exército, claramente Khasam estaria na seleção. Korin corria abalado ao lado de seu irmão e com lágrimas ao rosto, quando a voz do seu irmão o chamou atenção.

— Ei! Mesma aposta de sempre?

— Ah... Claro, o que chegar com a melhor carne tem direito a desafiar o outro a fazer o que quiser. Eu ganharei e farei você discursar para o nosso velho que eu sou muito melhor e mais competente que você.

— Gostaria de ver você tentar
- Os dois dispararam em caminhos separados a partir dali, com sorrisos bravos e confiantes em seus rostos.

Korin andava atento, pisava de forma leve por sobre as folhas, suas mãos estavam bem posicionadas, até sua respiração estava controlada, fraca, para que não a ouvissem. Ele se aproximava de sua presa com cautela, mas acabou pisando em um galho, fazendo um barulho não muito alto, mas suficiente para a criatura se assustar. Foi um movimento nada profissional, admitiu Korin. Novamente ele andou a procura de uma nova presa. Não via nada, a essa altura seu irmão já poderia ter encontrado algo, ele se recusava a perder dessa vez. Caminhou floresta a dentro sem perceber por onde passava. Sua mente ia longe. Pensava em seu irmão que faria muito falta. Ainda mais com o pai que tinha. Mas tinha que ser forte se quisesse alcançado algum dia. Quando Korin despertou de seus pensamentos súbitos, ele percebeu que já havia entrado bem mais do que lhe era permitido.

Estava em uma área escura, só era possível escutar as folhas que eram balançadas pelo vento gélido que pairou naquela área. Korin não mentiria para si mesmo, estava assustado. Andou mais um pouco e ouviu um barulho. Ele poderia ter escolhido correr, mas se contrariando apressou o passo, até se deparar com um corpo. Estava morto, concluiu o garoto. Não haviam sinais de pulso, nem respiração. Ele nunca viu aquele homem alí, estava deveras supreso. Como dizer a seu irmão que achou um corpo? Direcionando seu olhar aos arredores, ele avistou um objeto diferente, coisa que ele nunca havia visto. Era brilhante, parecia de vidro, mas bem resistente, do tamanho de uma maçã, parecia pesar um pouco mais. Era lindo, mas não foi isso que mais lhe chamou a atenção. Dentro era possível ver a figura de uma criatura diferente.

O ser apresentava uma cor azul bem clara, tinha um longo foucinho e a área Asima dos seus olhos era um pouco elevada. Por mais que ele dormisse com o tronco em repouso, o que dava destaque a sua calda, era possível ver um faixa amarela em seu peito. A criatura aparentava dormir tranquila.
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O rapaz agora estava confuso, nunca tinha visto tal objeto e muito menos alguma criatura exótica dentro de um mesmo, o que o deixava mais desconfortável era o fato de que aquilo reagiu ao toque e veio de um corpo morto, isso trouxe de imediato um pavor dentro do coração do rapaz - "E se isso for usado para me incriminar?" - O miúdo então se levantou em um salto aterrorizado e correu novamente em direção a sua casa, esquecendo completamente da sua aposta com seu irmão ou de que ele prometeu uma vitória finalmente. Avançou com todas as forças de suas pernas, mesmo sabendo que seria errado agir daquela forma em frente ao uma situação de encontrar o corpo de uma pessoa que poderia ser querida para várias outras.

Ao se aproximar da frente de sua casa, Korin abaixou seu corpo apoiando suas mãos ao joelho, respirando profundamente para recuperar seu fôlego. Provavelmente receberia outro sermão desagradável de seu pai e seria motivo de chacota de seu irmão Khasam.

— Ei, Korin - O esbelto irmão mais velho vinha dando um tapinha de cumprimento nas costas do mais jovem, com um sorriso de quem já estava certo da vitória. Trazia consigo um enorme corpo de um animal que afigurava-se como o de um cervo. - O que é isso, Korin? Desistiu da guerra sem nem mesmo ter engajado em batalha? Você está ficando cada vez mais mole.

Korin se apressou para reprimir suas emoções dentro de seu pulsante coração, virando seu rosto para olhar seu irmão ele esboçou um sorriso forçado e concordou com a cabeça com tudo que o mesmo dissera. Levamente trazia sua mão para esconder por de baixo da camisa aquele cristal brilhante que acabara de encontrar. Khasam notou o movimento e cerrou um pouco seus olhos para demonstrar desconfiança para com o outro.

— O que você está escondendo de mim? Venha, deixe-me ver - Ao esticar seu braço para tocar o ombro de Korin, o mesmo reagiu empurrando seu irmão para longe e o fazendo cair numa poça que ali se encontrava. As roupas de Khasam agora estavam encharcadas e este em fúria - Mas que merda, Korin?

— Não chegue perto de mim, por favor.

Korin não teve muito o que dizer, pois em sua mente não encontrava palavras para demonstrar que estava um pouco arrependido do que acabara de fazer. Para evitar mais casualidades, decidiu sair para a taverna. Era um lugar bem humilde, com suas mesas e cadeiras de madeiras desgastadas, quase podres, os copos onde eram servidos os aperitivos líquidos eram pouco lavados e o cheiro que dali saia não agradava as narinas de um jovem como Korin. O dono do local não era muito moral, então sempre oferecia um gole de uma bebida aqui e outra ali para os dois irmãos, alegando que assim estariam prontos para serem verdadeiros homens quando fossem mais velhos.

O ambiente aquela noite estava no de costume, uma calmaria e conversas entre cochichos dos homens trabalhadores que ali bebiam. A presença de Korin era tão natural que não incômodou praticamente ninguém que no local se entretinha, exceto por um homem, esse que escondia sua verdadeira faceta através de um robe cinza e sentava sozinho no canto esquerdo da taverna, ele batia os dedos impacientemente na mesa e olhava para os dois lados a cada 5 segundos para conferir algo, como se esperasse por alguém naquela noite. O indíviduo mal notaria Korin, aquele garoto magrelo e de aparência estropiada, se não fosse por um breve brilho que lhe encontrou os olhos, foi o reflexo daquele belo cristal que mal se escondia por de baixo dos trajes do miúdo. Este ficou mais intrigado ao ver que o cristal havia sido ativado e as suspeitas fizeram com que ele se sentisse na obrigação de seguir Korin para descobrir o que havia acontecido.

Algumas horas bebendo e rindo por conta do dono da taverna, Korin se retirou do local cambaleando e sabendo que certamente iria ser agredido por seu pai. Mentalmente ele já criava a cena e repetia as palavras de seu pai: "Alguém desonrado como você não tem direito de beber, mas seu irmão... bla, bla, bla". Dizia aquilo com uma voz severa e depois caia na gargalhada, era muito claro que a influência do álcool o deixou bêbado naquela noite.

— Você carrega algo que não te pertence - Uma voz aspera trouxe um arrepio na espinha de Korin, que imediatamente virou-se para trás procurando aquele que dirigia essa voz para ele. - Pequeno, jovem e fraco. Você não teria forças para tomar isso na mão de ferro dele, mas pelas suas roupas vejo que tem uma origem humilde, então é possível que você conseguiu roubar... Não, seu corpo pode ser ligeiro mas você age de forma imprudente e apenas um ladrão perito conseguiria tocar em alguma coisa daquele homem sem ele saber. Entendo, ele não está mais aqui, então onde está o corpo?

Korin encarou o homem de uma maneira confusa e assustada. Como ele sabia do corpo? Nesse momento passaram-se milhões de ideais na sua cabeça. Pensou em correr, mas no seu estado atual de nada adiantaria. Mesmo com uma quase certeza que não funcionaria, preferiu blefar.

— Não entendi, do que está falando? - ele já estava aparentemente assustado, tanto que foi preciso de um certo esforço para não tremular a voz.

Ele viu o homem suspirar e se aproximar. — Não estou para brincadeiras, jovem. Onde está o corpo do homem que carregava esse cristal? - Ele apontou para a parte das vestes que tinha uma fraca iluminação, surpreendendo Korin.

O garoto ficou com uma feição espantada, mas com um resto de coragem tentou formular uma frase coerente. — Eu te digo onde está o corpo, mas o cristal fica comigo! - Falou se afastando do homem que soltou uma gargalhada irritada.

— Até parece que eu iria permitir que uma criança ficasse com objeto de tamanha importância. Passe isso pra cá. - Já sem paciência, o homem se aproximou rapidamente de Korin e tentou tirar o cristal do menino a força, mas ao tocar no cristal ele novamente emanou um brilho, dessa vez mais forte que fez o homem se afastar e Korin tropeçar, caindo de costas. O cristal se recusou a ser levado das mãos do rapaz.

O homem agora estava muito mais que irritado. Ele havia montado uma estratégia perfeita a seu ver. Tudo muito calculado, para um garoto se intrometer e virar guardião do cristal. Uma vez que aquilo viesse a acontecer, ele se tornaria um fardo e ponharia em risco a vida de muitos.

Respirando fundo, ele voltou seus olhos a Korin que estava extasiado no chão. — Me leve até o corpo. - Korin nada respondeu. — Me leve até o copo, criança. - Dessa vez ele gritou fazendo o menino despertar.

Ele estava assustado. Sua mente não funcionava direito. O que poderia fazer? Nada. Ele apenas obedeceu, mesmo contra sua vontade. Eles entraram na floresta, com a iluminação de uma única tocha, e caminharam até onde Korin havia encontrado o corpo. O silêncio pairava entre os dois, era uma situação constrangedora. O homem mais velho segurava a tocha um pouco acima da cabeça, ao lado de Korin, que as vezes se pegava olhando para a estatura alta daquela pessoa que parecia ser bem velho, não conseguia lhe designar uma idade.

Quando chegaram no local, para a surpresa de Korin, o corpo não estava mais lá. Seus olhos se arregalaram, sua respiração falhou. Fazia apenas algumas horas que tinha visto o cadáver. Estava morto, ele conferiu com toda certeza. Não teria como ele ter fugindo.

— Então? - O homem viu o menino parado, em um estado de espanto. — Onde está?

— Estava aqui. - falou gaguejando. — Estava aqui, foi aqui, eu vi, estava morto, como... - Ele tentava gesticular com as mãos, mas todo o que tentava parecia em vão.

O homem olhou ao redor. Ele não parecia estar mentindo. Olhou as árvores, os caminhos, o chão. Viu o ponto brilhante. Se ajoelhando de maneira séria e elegante, pegou o objeto e pode ver que se tratava de um broche. Dourado e pequenino, com um simbolo que ele conhecia bem. Sim, o corpo estava alí. — Alguém estava o seguindo. - Deixou escapar roubando a atenção de Korin. Então voltou seus olhos a ele. — Seja lá quem tenha sido, reze para que não tenha te visto roubar o cristal. Ou eu mesmo seria capaz de te matar.

Ele então caminhou de volta, deixou a tocha com o menino e andou pelo lado contrário ao que chegaram, deixando Korin para trás. — Amanhã. - Korin o encarou. — Me encontre aqui logo pela manhã. Sem demoras.

— O que? Por que? - Perguntou confuso.

— Teremos um longo dia de treinamento.


— — —

Os dois já se posicionavam no mesmo local que fora marcado como encontro no dia anterior. O velho que antes estava encapuzado revelava a sua aparência que transcendia sabedoria aos olhos do jovem Korin. Seu cabelo era curto, com leves fios grisalhos, servia também para sua barba rala. Mais cedo pra aquele momento, o indivíduo se apresentou como Bulvar e ele ensinou Korin depositar sua alma no cristal para se tornar um com o pokémon.

Então Korin agora tentava pela quarta vez, fechando seus olhos e concentrado seus sentidos na ponta dos dedos que tocavam o cristal. Desta vez o resultado foi diferente, o cristal rachou liberando vários feixes de luz até se quebrar de uma vez, a criatura que ali dentro dormia tomava um formato maior, crescendo várias proporções de uma vez só. O monstrinho azulzinho agora estava logo a frente de Korin, respirava ofegante por ter finalmente saído. Apesar da animação, o miúdo agora se encontrava assustado por ver seres humanos, algo que ele nunca tinha visto.

— Oh, parabéns, não tinha visto essa espécie nem na era dourada dos Combatentes Cristalinos, mas em alguns livros dizia ser nomeado de Totodile - Ele erguia um pouco a sobrancelha enquanto rodeava o pequeno azul. - Parece forte, você deveria testar agora. Deixe-me te dizer que agora que suas almas estão interligadas, vocês são como um, tu por vezes pode até utilizar parte das habilidades da criatura, entretanto isso fica à merce de seu potencial, pois apenas os mais poderosos conseguem tal feito.

— — —

Korin foi instruído por Bulvar a praticar a sincronia com o pokémon. O rapaz começou correndo junto com seu parceiro por toda a floresta o mais rápido que podia, assim ele pode notar que os dois compartilhavam praticamente da mesma velocidade, pularam mais alguns galhos até chegar em uma grande árvore que tinha no meio da floresta, dizia-se a maior da região e mais velha. Na cabeça do rapaz seria interessante testar a força da criaturinha azul batendo contra aquele gigante tronco e como resposta imediata Totodile correu investindo sua cabeça contra o objeto, Korin passou um tempo sem entender até que Bulvar se aproximou.

— Não entendeu não é? Quando eu disse que vocês compartilhariam uma alma e se tornaria um não estava brincando. Ele pode responder a seus pensamentos e não só isso, mas também sentir o que você sente.

O pequeno rapaz estava boquiaberto e ao focar em seus próprios sentidos podia sentir o poder da criatura, como se fosse seu próprio poder.

Em meio a floresta, lá estavam eles, Totodile e Korin faziam abdominais frenéticas. Era até engraçado ver o pequeno pokémon se esticando todo em movimentos complicados. Hora o outra ele soltava barulhos que eram engraçados para Korin que já estava criando um laço com a criaturinha. Eles tiverem testes de resistência pesados. Bulvar aconselhava Korin nos comandos que faziam Totodile dar golpes no tronco, hora fortes, hora fracos. Marcas já apareciam do local, e os dois pequeninos estavam ofegantes. Mas na visão do mestre, aquilo ainda era pouco. Entre corridas e saltos, o monstrinho era levado a dar cabeçadas e mordidas em árvores aleatórias. As mascas do treino pesado se espalhavam por toda a mata, mas as mudanças já eram perceptíveis. A conexão entre eles estava aumentando, assim como a resistência. O vigor voltou aos dois que treinavam movimentos de velocidade numa sincronia surpreendente, levando em conta que eram iniciantes. Já estava escurecendo quando o mestre em pé, olhava seus dois alunos um de frente ao outro, numa meditação concentradíssima. Até mesmo a respiração de ambos estava ritmada, Korin sentia dentro de si uma energia diferente. Nunca se sentiu tão cansado, mas também "renovado". Eles abriram os olhos e se apunharam de pé, por fim se encarando com um sorriso no rosto. Alguns hematomas se faziam presentes ali, nada que fosse acabar com a ligação que eles acabaram de construir.

— Estou quase impressionado. - Se pronunciou Bulvar. No final das contas, ele parecia ter encontrado um prodígio, mas não seria tão fácil assim. Nunca é.

— Eu e Totodile somos mesmo incríveis. - Korin falou entendendo a mão fazendo o monstrinho saltar e tocar na mesma.

— Para um iniciante, talvez. Mas não se deixe enganar moleque. Isso não é nem o começo. Você ainda vai aprender muitas coisas. Tente ficar mais forte, mas não se deixe levar por essa força. - Falou apertando a cabeça do garoto com um pouco de força em um sermão levinho. — Vá descansar, amanhã teremos muito mais.

Antes de ir embora, ele andou até Totodile e lhe entregou uma frutinha rosada que parecia deliciosa, fazendo os olhos do pokémon brilharem.

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