(Jornada) Marisa Scarlet

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(Jornada) Marisa Scarlet

Mensagem por Marisa Scarlet em Qua Ago 16, 2017 3:16 pm

Spoiler:
Obs: Essa primeira parte é apenas introdutória, apresentando os ambientes e as personagens, não há batalhas e nem capturas.
Obs²: Omiti algumas informações propositalmente, serão explicadas ao longo da história.
Obs³: Desculpa se tiver ficado muito grande XD



♠ {Cap 1 – Reencontro} ♠


    A garota poderia estar longe de corresponder às minhas expectativas, mas uma coisa eu tinha que admitir: ela era fiel com o que prometia. Dissera que iria me buscar antes ainda do sol nascer, e ali estava ela, em todo o glamour de seus jeans surrados e um capuz com orelhas felinas. Este não era capaz de esconder seus longos cabelos ruivos: eles caíam livremente sobre seu rosto e eram presos em uma trança no fim. Por baixo do que me parecia um tipo de casaco, usava uma blusa que provavelmente já fora branca, contudo começava a perder sua cor original, imagino que por ser usada em excesso.
    Sofisticada? Talvez não tanto. Mas era prática, sim, e como era; apenas no curto tempo do nosso último encontro ela havia improvisado medicamentos com base em plantas e ervas que nem eu conhecia. Uma aventureira nata, eu ouvira a professora dizer. Observando o brilho nos olhos daquela menina, tão vermelhos quanto seus cabelos, e como eles se encaixavam tão bem com o sorriso travesso e desafiador que estava sempre em seu rosto, não pude deixar de pensar que a professora talvez tivesse razão.
    Naquele instante, de pé diante daquela humana que me causava uma estranha mistura de curiosidade e irritação, eu apenas observava em silêncio enquanto meus dois colegas se despediam dela da forma mais melodramática que podiam. O porco de fogo se encontrava no colo da menina, esfregando seu rosto contra ela e repetindo “não vá, não vá!” mesmo sabendo que humano algum poderia compreendê-lo. A lontra aquática, por sua vez, havia se jogado contra a cabeça dela, agarrando seu capuz e recusando-se a sair dali.
    Suspirei diante daquela lamentável tentativa de impedir a partida de uma garota humana que aparecera repentinamente em nossas vidas e parecia desejar o mesmo que todos os outros jovens que passavam por aqui: partir. Partir e levar um de nós consigo.
    “Resolva disso.” Mesmo que ela não fosse capaz de me entender, esperava que ao menos pudesse interpretar o tom da minha voz. Percebendo que aquilo demoraria mais do que o previsto, me retirei da sala, esperaria pela menina na frente do laboratório. “Não temos o dia todo.”


***


    Não me recordo ao certo quanto tempo se passou antes que eu finalmente ouvisse passos se aproximando. Rapidamente saltei da árvore onde estava sentada, repreendendo com o olhar a humana que em breve se tornaria minha mestra.
    – Hey, desculpe a demora! Acabou demorando um pouquinho para aqueles dois se acalmarem. – Comentou ela, sorrindo amigavelmente. Pensei em contestar aquele “um pouquinho”, mas decidi que não valia o esforço e apenas virei meu rosto, indiferente.
    – Tem certeza de que não quer escolher o Tepig? Ele se apegou muito a você, depois que o ajudou. – Questionou a professora Júniper, que vinha logo atrás da aspirante a treinadora. – Ou mesmo o Oshawott, que está tão ansioso em lhe acompanhar.
    Assim como eu, a professora também parecia confusa por aquela humana ter escolhido a única inicial que claramente não havia gostado dela.
    – Eles são uns fofos! – Respondeu, rindo. Nem mesmo a minha clara indiferença diante dela parecia abalar o seu aparentemente eterno bom humor. – O Tepig é muito massa, só alguém bem sortudo mesmo pra ter ele na equipe. Mas de cabeça quente aqui já tem eu, sabe? Numa dupla de dois esquentadinhos, o primeiro balde de água fria derruba. E o Osha nem é tão diferente não, ele se joga de cabeça nas coisas que nem eu.
    – Compreendo... – Não, seu rosto deixava claro que ela não compreendia. – Então, você espera que Snivy possa equilibrar melhor suas atitudes?
    – É tipo isso. Essa baixinha aqui – E se abaixou para dar uns tapinhas em minha cabeça, ignorando completamente o olhar de poucos amigos que lancei para ela. – com certeza vai saber me botar nos trilhos.
    – Vejo que está decidida, apenas posso lhe desejar o melhor. – E, após uma breve despedida, a professora entrou novamente no laboratório, nos deixando sozinhas. Deduzi que ela já havia dado todas as recomendações iniciais que dá aos novos treinadores antes das duas saírem lá de dentro.
    – Olha só, eu disse que a gente ia sair bem cedinho, mas o sol já nasceu. – Comentou o óbvio, seus olhos fixos no horizonte. Logo em seguida, voltou a sorrir e me olhou com uma animação quase excessiva. – Não importa, é só a gente apressar o passo que dá tudo certo!
    A humana estendeu o braço direito em minha direção, da mesma forma que eu a vira fazer com o Patrat no dia anterior. Olhei para ela, atônita. Aquela garota realmente esperava que eu subisse no seu ombro?
    – O que foi? – Perguntou, com aquele sorriso irritante que parecia se recusar a sair de sua face.
    Não me dei o trabalho de tentar responder, apenas toquei em minha Pokeball, que estava na mão esquerda da humana. O raio de luz vermelha me absorveu quase imediatamente.


***


    – Snivy, é com você! – Com um brado desnecessário, minha nova mestra liberou-me. Imediatamente coloquei-me em alerta, procurando pelo inimigo, mas tudo que vi foi uma sexta de frutas colocada desajeitadamente sobre um pano alaranjado de aparência velha. Franzi a testa, imaginando qual a necessidade de me libertar de forma tão escandalosa se nada alarmante havia acontecido, e a humana se apressou em explicar. – Achei que ia estar com fome, já que a gente saiu antes da professora dar o café-da-manhã dos Pokémons.
    Pelo menos esse bom senso ela tinha. Me sentei no pano, tomando o cuidado de manter uma distância razoável da menina, e peguei a primeira fruta que minhas mãos alcançaram. O doce da maçã não tardou em invadir minha boca, era mais suculenta do que aquelas que eu comia no laboratório.
    – Você é sempre caladona assim? – Perguntou, sem se importar que sua boca estivesse cheia. Principalmente com pessoas estúpidas, tive vontade de dizer. – Sabe, a gente vai ficar junta por um booom tempo, então ia ser legal se a gente se desse bem.
    Não esbocei nenhuma reação, apenas continuei concentrada na minha comida. Por um instante, pensei que ela tivesse entendido a mensagem e fosse enfim se calar, porém logo minhas esperanças foram frustradas.
    – Eu ainda nem me apresentei, né? O meu nome é Marisa. Marisa Scarlet. E você, tem nome? – A humana ficou me olhando, como se realmente estivesse esperando uma resposta. Suspirei, inconformada por ter alguém assim como treinadora. Desde que nasci, sempre se referiram a mim apenas como Snivy; e, mesmo caso eu tivesse outro nome, não faria mais diferença. Por algum motivo, humanos são incapazes de compreender o que nós dizemos. – Não tem, é? Eu posso te dar um então?
    Ignorei-a de novo. Meu silêncio, entretanto, não pareceu gerar nenhum efeito nela, continuava com o mesmo tom bem-humorado.
    – Que tal Boca de Túmulo? – Se a intenção dela era chamar minha atenção, conseguiu. No mesmo instante me virei em sua direção, estressada e surpresa com tamanho atrevimento. A menina riu da minha expressão, me deixando ainda mais irritada. – Hahaha! É só brincadeira, boba, relaxa.
    Suspirei, usando todo o meu autocontrole para não jogar o que restava da maçã na cara daquela idiota irritante. Já não gosto muito da companhia dos outros seres vivos, e aquela garota era particularmente insuportável.
    – Mas falando sério agora... eu acho Megu bonito, e combina com você. O que acha?
    Refleti por um instante, surpresa por finalmente ter saído algo que prestasse daquela boca. Megu... era um nome decente, para dizer o mínimo. Acenei com a cabeça, indicando a ela que havia aceitado a sugestão.
    – É isso aí, agora somos eu e você, Megu! – O entusiasmo dela parecia prestes a transbordar, eu não me surpreenderia se a humana começasse a dar pulinhos ali mesmo.
    Após isso, o almoço continuou sem grandes eventos. Minha treinadora parecia incapaz de manter a boca fechada por cincos míseros segundos, e a cada instante que se passava eu me arrependia amargamente por ter aceitado sair do laboratório. Quando terminamos de comer, me deitei em uma pedra para tomar banho de sol. Foi a coisa mais relaxante que fiz naquele dia, sentir os raios solares incidindo sobre mim parecia tirar todos os vestígios de estresse do meu corpo. Nem mesmo percebi quando caí no sono.

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Última edição por Marisa Scarlet em Sab Set 09, 2017 4:35 pm, editado 1 vez(es)
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Re: (Jornada) Marisa Scarlet

Mensagem por Marisa Scarlet em Qua Ago 16, 2017 8:32 pm

Spoiler:
Primeiro treinamento, vamos ver no quê dá :3
Obs: De novo, gomenasai pelo tamanho >. < não sou boa resumindo e pareceu menorzinho no Microsoft Word.


♠ {Cap 2 – "Macaco malvado"} ♠


    Pela segunda vez em menos de quarenta e oito horas, acordei de uma das formas mais desagradáveis possíveis. Mais especificamente, com uma pera acertando a minha cara. Me levantei, irritada por ter minha sesta interrompida, e me deparei com uma das últimas cenas que esperava ver: um macaco de cor ardente como o fogo segurava nossa cesta de frutas, um sorriso maroto em seu rosto. Ao fundo, minha treinadora dormia recostada em uma árvore.
    Não demorou muito para que Marisa fosse acordada de forma tão delicada quanto eu fui. No começo ela apenas olhou bobamente para o nada, ainda desorientada, mas logo percebeu o que estava acontecendo.
    – Megu, vamos ensinar uma lição pra esse macaco ladrão! – Imediatamente me coloquei em posição de batalha, ignorando o comentário que ela fez logo em seguida, algo sobre estar feliz por sua frase ter rimado. – Tem três Pokémons macacos parecidos com esse... qual é o nome dessa espécie mesmo...? Espera, espera, até um tempo atrás eu sabia...
    “Que foi, plantinha? Tá com raivinha do macaco malvado?” Ouvi o primata gritar e tive que revirar os olhos diante de tanta imaturidade. Conseguia ser ainda pior que Marisa.
    Aconteça o que acontecer, me recuso a perder para alguém assim. Era bom aquele estúpido levantar a guarda.
    – Deixa, eu lembro outra hora... Megu, Tackle nele! – Um ataque direto assim? Estranhei, mas resolvi não discutir.
    Corri contra o macaco escarlate, que apenas riu e desviou com a maior facilidade do mundo. Para completar, me acertou na cara com outra fruta. Olhei para Marisa, raivosa, sabia bem que aquilo não era o melhor que ela podia fazer.
    – Tackle de novo! – Bradou, ignorando meu aviso silencioso.
    Outra vez avancei contra meu oponente, apenas para vê-lo pular e agarrar o galho de uma árvore, sem me dar chance de sequer me aproximar. Entretanto, antes que eu pudesse reclamar com a humana, ela tratou de dar suas próximas ordens:
    – Pega ele! – Um flashback rápido correu em minha mente. Um Sentret encrenqueiro... e aquela mesma humana dando a mesma ordem. Sorri comigo mesma, sabia exatamente o que precisava fazer.
    Com meu Vine Whip, agarrei o pé daquele macaco e o joguei contra o chão. Ele gritou de surpresa, apesar de não ter se machucado muito.
    – De novo! Joga contra uma árvore dessa vez! – Antes que ele pudesse se recompor, minha vinha agarrou seu braço e o jogou contra a árvore mais próxima. – Aguenta firme aí, eu sei que ele é pesado, mas força...
    Talvez eu devesse jogar você numa árvore...
    Meus pensamentos foram interrompidos por xingamentos de um macaco nada contente, seguidos por uma rajada de fogo que me fez arregalar os olhos. Me joguei no chão, sentindo o calor das chamas que passavam logo acima de mim, por pouco não acertando a planta em minha cauda.
    – Droga! Esse aí é o macaco de fogo... Pansear!
    De fogo... não me diga... Será que o pelo vermelho vibrante que ele tinha não era um indício forte o suficiente? Eu não poderia me aproximar tão descuidadamente daquele Pokémon com uma desvantagem tão gritante entre nossos elementos.
    – Se esse Incinerate te pegar, a gente vai se ferrar... Mais cuidado agora, ok? Use... d-desvia! – Me surpreendi com seu grito repentino, mas consegui rolar a tempo de escapar de outra rajada de fogo. Pansear não me deu nem tempo de me levantar, pulou para cima de mim e lambeu meu rosto da forma mais nojenta possível. Além de ter sido uma nojeira, aquilo... doeu... como se houvesse algum ácido na sua saliva.
    O macaco se aproveitou da situação e me acertou com seu Scratch, a força de suas garras me jogando uns poucos metros para trás. Logo em seguida começou a me acertar com vários arranhões, um por cima do outro, sem interrupções... Senti um pouco de sangue saindo de meus machucados, mas eu não conseguia reagir.
    – O que é que você tá fazendo, Megu? Reage, menina! Vine Whip na cara dele! – Tentei fazer como o que foi me ordenado, porém meu corpo não reagiu... uma dolorosa descarga percorria todo o meu corpo, travando os meus músculos. – Droga! Mas que desgraça de Lick... te paralisou de primeira... anda menina, força! Vine Whip!
    Olhei para o macaco à minha frente, que zombava de mim sem a menor vergonha. Admito, estou longe de ser a Pokémon mais forte das redondezas... mas perder para alguém como ele, alguém tão baixo e estúpido...  isso eu não poderia admitir.
    “Hehehehe! Não tava aí agindo toda superior? Cadê aquele orgulho todo agora?” Ele gargalhava da situação, suas provocações eram tão terrivelmente infantis que me enojavam. “Que foi? Tá plantada no lugar, é?
    “Eu não vou...” Minha voz saiu pouco mais que um sussurro, porém ainda audível. Levantei-me, forçando meu corpo a obedecer, e continuei com uma firmeza muito maior. “...perder para alguém do seu nível. Trate de esquecer essa possibilidade”.
    “Hehe... então vamos dançar, plantinha!” Ele saltou sobre mim, já preparando mais um Scratch. Com algum esforço, consegui desviar, e revidei com um Tackle. A pancada foi forte o suficiente para fazê-lo perder o equilíbrio, saltitando com um pé só na tentativa de evitar uma queda.
    – É isso aí! Agora derruba ele! – Não foi preciso pedir duas vezes, um Vine Whip foi o suficiente para lançá-lo ao chão. – Joga pra cima! E Tackle antes dele cair!
    Usando as forças que ainda tinha, lancei o primata o mais alto que pude. Não foi muito, mas o suficiente para que conseguisse acertá-lo com o ataque antes que ele atingisse o chão. O impacto fez com que Pansear atingisse o chão com ainda mais força, rolando por alguns metros antes de parar.
    – Essa é a minha menina! – Comemorava, só faltava pular de excitação pela batalha que se desenrolava à sua frente. Todavia, pareceu surpresa quando viu Pokémon de fogo se levantando e preparando mais um ataque. – Mais um Incinerate vindo! Evasiva!
    Fácil, pensei. Grande foi minha surpresa quando meu corpo voltou a travar, me impedindo de desviar daquelas chamas. Não consegui conter um grito, nunca havia sentido nada como aquilo... o fogo parecia me consumir, todo o meu corpo ardia de forma agonizante. Caí no chão, a paralisia me impedindo de me contorcer de dor... e também de me defender da sequência de arranhões que se seguiram.
    – Megu! – Minha treinadora gritou, aflita, mas eu mal conseguia discernir sua voz. Meu corpo estava fraco e cada movimento era doloroso, não me restavam forças nem mesmo para ficar de pé. – Acabou... não vou te deixar se machucar mais...
    Apesar de fraca, consegui rolar para longe do raio rubro que saiu da Pokeball. Não poderia perder para ele... me recusava a passar por tamanha humilhação...
    “É o seu fim, plantinha!” Antes mesmo que Marisa pudesse tentar me recolher novamente, Pansear correu em minha direção com a mão erguida, pronto para me dar outro Scratch. Tentei me forçar a ficar de pé, apenas para cair de novo... minha visão começava a embaçar, tudo que eu via era um borrão vermelho avançando contra mim com uma velocidade alarmante. De repente, outro vulto surgiu na minha frente... muito maior que o primeiro, contudo sua postura não parecia ameaçadora... e sim de proteção...
    – Não vai tocar nela! – Gritou a humana, como se ela realmente fosse uma ameaça para um Pokémon que nem eu consegui derrotar...
    “Saia... daí.... estúpida...”  
    A última coisa que me lembro de ter ouvido foi um grito, mas eu nem conseguia mais dizer a quem ele pertencia. Após isso, tudo escureceu.

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Re: (Jornada) Marisa Scarlet

Mensagem por Cueio em Qui Ago 17, 2017 4:27 pm

Saudações, irei agora avaliar a sua jornada. :cueio:

É interessante ler uma história na perspetiva de um pokémon. As ações foram muito bem narradas e estão recheadas de emoção. A batalha foi muito boa de ler: bem mexida e você usou o ambiente (árvore, cesta) como base para certas ações. Bem criativo. Já agora, não se preocupe se o texto é muito grande pois não tem problema.

Nota: Ótimo
Bônus: Megu recebeu 6 níveis (+1 graças ao bônus de classe; +1 graças ao evento Reborn); Personagem recebeu 4 níveis (+1 graças ao bônus de classe; +1 graças ao evento Reborn).

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Re: (Jornada) Marisa Scarlet

Mensagem por Marisa Scarlet em Sex Ago 18, 2017 9:30 pm

Spoiler:
Yaaay, muito obrigada! ^^
Aviso: capítulo sem ação, capturas ou batalhas, é mais transitório e para introduzir a nova personagem.



♠ {Cap 3 – A pequena ajudante} ♠


    Abri meus olhos, vacilante. Minha cabeça girava e eu não conseguia enxergar nada além de um borrão de cores escuras. Demorou alguns instantes até que minha visão voltasse ao normal e eu pudesse identificar o ambiente à minha volta. Estava embaixo de uma árvore, deitada sobre uma cama de folhas improvisada, e um casaco me cobria, protegendo-me parcialmente do vento frio.  Dormindo perto de mim, recostada no tronco da árvore, estava uma garota ruiva muito familiar...
    Você... Um flash percorreu minha mente, lembranças que começavam finalmente a se encaixar. Aquela humana havia entrado na frente... enfrentado aquele infeliz com uma valentia atípica da espécie. Sempre considerei os humanos como uma raça covarde, escondem-se atrás das espécies mais fortes e dependem delas para realizar seus objetivos. Então... por quê...?
    “Que bom! Você acordou.”  Ouvi uma voz doce que ainda me era desconhecida dizer. Não se parecia nada com o tom energético e levemente desafiador de Marisa, muito menos com o som espalhafatoso que meus antigos colegas, Oshawott e Tepig, ousavam chamar de voz. “Estávamos preocupadas
    Ergui minha cabeça, ignorando meu corpo que latejava em protesto, e me deparei com um ser que nunca havia visto antes. Era pequeno e tinha feições felinas, a maior parte do seu corpo era rosa, com exceção da barriga e de uma mancha em formato de lua no seu rosto, os quais eram beges. Na ponta de sua causa desproporcionalmente fina, uma formação rechonchuda e cor-de-rosa me lembrava estranhamente uma mão.
   “Quem é...?” Tentei me levantar enquanto falava, mas dessa vez não consegui ignorar a dor que sentia e tive que me deitar novamente.
    “P-por favor, não se esforce muito! Você ainda está ferida, precisa de repouso...” A criaturinha disse, parecendo genuinamente preocupada. Por sua voz fina e melodiosa, supus se tratar de uma fêmea. “Me chamam de Skitty, é um prazer conhecê-la! Mas sinto muito que esteja nessa situação...
    Dezenas de perguntas borbulhavam em minha mente, contudo apenas ajeitei-me mais na cama e gemi, infeliz. As imagens da batalha tomavam conta da minha mente, insistentes como Volbeats atraídos pelo doce aroma dos Illumises. Não conseguia acreditar que havia perdido para aquele Pansear, logo ele... apenas pensar sobre isso me enchia de indignação e nojo. Se era nojo dele ou de mim mesma, todavia, já não sabia dizer... talvez de ambos.
    Enquanto eu me martirizava com aquele combate fracassado, a criatura que havia se nomeado como Skitty me analisava cautelosamente, parecia verificar qual a gravidade do meu caso. Ela andou em círculos ao redor da cama por alguns instantes, parou, olhou mim, depois para Marisa e de volta para mim.
    “Sabe, nem todos os humanos são bons, mas eu diria que você tem uma ótima aqui.” Disse, sorrindo docemente. “Ela ficou ao seu lado o tempo inteiro, mesmo tendo se machucado também. Foi muito difícil convencê-la a descansar...
    “E como fez isso? Não pode falar com ela.” Resmunguei, soando mais rude do que o esperado. Apesar de aquela Pokémon estar agindo de forma tão amável comigo, eu ainda não sabia quais eram suas intenções, não poderia baixar a guarda.
    “Fazê-la entender foi a parte fácil. Humanos não compreendem o que nós dizemos, mas certas coisas todos os seres vivos são capazes de entender.” Ela respondeu sem alterar seu tom sereno, não parecia nem levemente chateada pela minha atitude. “Mas agora que você acordou... bem, ela me pediu para que a acordasse quando isso acontecesse
    Antes que eu pudesse dizer mais qualquer coisa, ela saltou para o ombro da humana e cutucou seu rosto. Os olhos de Marisa lentamente se abriram, e quase sorri ao ver aquela expressão abobalhada que ela sempre tinha ao acordar. Quando me viu, no entanto, todo o sono pareceu se esvair e um grande sorriso se abriu em seu rosto, ela correu para perto de mim e se ajoelhou ao meu lado.
    – Megu, Megu! Até que enfim você tá acordada, menina! Como tá se sentindo? – Marisa não conseguia se conter e recebeu um olhar com um quê de repreensão de Skitty, que ainda estava em seu ombro, provavelmente por estar gritando daquela forma no meio da noite. – Eita, desculpa! Eu esqueci que tem muito Pokémon querendo dormir aqui por perto.
    Ver a postura descontraída da minha treinadora diante daquela Pokémon me aliviou por um par de segundos, aquilo deveria significar que ela não representava ameaça. Todavia, eu não estava muito certa sobre a capacidade da humana de julgar o caráter alheio...
    “Bem.” Menti, estava me sentindo péssima. A dor física eu podia aguentar, mas meu orgulho dilacerado era demais para mim. Como se não bastasse perder para alguém do nível daquele macaco, ainda fui salva por uma humana que eu menosprezava... Espere... onde está o Pansear? Não é possível que Marisa o tenha derrotado...
    Passei alguns segundos encarando a garota, até que reparei que a manga de sua blusa estava rasgada e um pouco manchada de sangue, exatamente do lado oposto ao que Skitty havia subido. Então ela realmente havia se machucado... Tão perdida em pensamentos, não notei antes...
    – Ah, isso aqui? Não é nada, boba! Foi só um arranhãozinho. –Disse ela, percebendo o meu olhar.
    “O que aconteceu?” Perguntei, secamente, recusando-me a demonstrar o turbilhão de emoções que tomava conta de mim. Mesmo não podendo diferenciar as palavras, ela deve ter entendido pelo meu tom de voz, pois logo começou a explicar.
    – Depois que você desmaiou, eu tentei te tirar perto do Pansear, ele não queria parar de atacar. Só que o bicho era rápido e tinha umas garrinhas bem fortes, hein? – Ela riu bobamente, coçando a cabeça de Skitty com uma mão, não parecia nem um pouco preocupada com os próprios ferimentos. – A sorte foi que essa menininha aqui apareceu pra ajudar. Ela fez o Pansear hesitar com um Fake Out e depois jogou areia na cara dele com a cauda, deixou ele ceguinho! Aí a gente aproveitou o tempo pra fugir, e Skitty mostrou o caminho até essa árvore aqui. Sério Skitty, eu nunca vou poder agradecer o suficiente por isso!
    “Não foi nada, fico feliz por ter ajudado” A criaturinha rosada sorria, satisfeita, parecia apreciar os carinhos da humana. “Agora que as duas estão acordadas, eu tenho uma coisa para mostrar!
    Ela saltou do ombro da garota e correu até alguns arbustos, dos quais tirou uma fruta carnuda de coloração meio esverdeada. Correu novamente até Marisa e entregou-a na mão dela.
    “Isso vai ajudar sua amiga a se sentir melhor!
    – Nossa, valeu mesmo, Skitty! Essa Aguav Berry vai fazer a Megu melhorar muito. Está mesmo tudo bem em nós ficarmos com ela, né? – Perguntou, embora já estivesse procurando por uma faca para cortar a fruta para mim. Estava mesmo apressada em tratar meus ferimentos...
    Claro que está, ela não pode batalhar sem mim.
    "Está sim, podem ficar! Eu estava guardando para o meu estoque de inverno, mas ainda está longe.” Ela parecia estranhamente feliz em ajudar. Em toda a minha vida, nunca havia conhecido criatura tão prestativa. “Mas... essa fruta pode reagir mal com os Pokémons que não gostam de coisas amargas... eles podem ficar confusos de tanto desgosto
    “Não me importo com comidas amargas” Respondi, agradecendo mentalmente por aquilo não ser azedo, sabor que eu apenas não conseguia aturar.
    – Aqui está, menina! Vai se sentir melhor se comer isso. – Disse, estendendo-me fatias pequenas da Aguav Berry. Embora ainda estivesse sorrindo, algo estava diferente de antes... não parecia tão sincero, apenas uma máscara. Ao invés de trazer algum conforto, me causou um pressentimento estranho...
    Algo está muito errado...
    – Anda, abre a boquinha! – A voz de Marisa me despertou de minhas distrações. Quando percebi que a humana pretendia me alimentar, virei o rosto, precisava preservar a pouca dignidade que me restava.
       “Posso comer sozinha...




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Re: (Jornada) Marisa Scarlet

Mensagem por Marisa Scarlet em Qua Ago 23, 2017 11:11 pm

Spoiler:
Não sei se treinos nesse estilo são permitidos, gomenasai se não forem >. <
Obs: Megu não sabe o nome de todos os ataques, então botei entre parênteses para ficar mais claro.


♠ {Cap 4 – Orgulho ferido} ♠



    Quando voltei a acordar, já havia amanhecido. A Aguav Berry havia realmente recuperado grande parte da minha energia e, após descansar tanto, eu já me sentia ótima. Fisicamente, ao menos. As imagens daquela batalha continuavam me atormentando, não saíam de meus pensamentos por um minuto sequer. Era quase como se eu ainda pudesse sentir as garras daquele Pansear em mim, o calor de suas chamas...
    Não posso deixar que termine assim. Decidida, levantei da minha cama de folhas, com cuidado para não acordar Marisa, que ainda dormia. Skitty não estava em nenhum lugar à vista. Caminhei para longe da árvore sob a qual estávamos abrigadas, procurando por algum lugar onde pudesse treinar em paz. Definitivamente... não vai ficar assim...
    Conforme adentrava a rota, a vegetação ficava cada vez mais espessa, chegando até mesmo a bloquear boa parte dos raios solares. Isso tornava o ambiente escuro e a locomoção, difícil, principalmente para seres maiores. Sorte a minha ser um Pokémon vegetal... além de me sentir à vontade em meio a tantas plantas, conseguia me mover bem em florestas como aquela instintivamente. Claro, minha baixa estatura e meu corpo esguio também ajudavam, eu conseguia passar mesmo em brechas pequenas.
    Não sabia mais dizer quanto tempo havia se passado, contudo sentia que já estava distante do lugar onde Marisa dormia... uma humana sozinha é vulnerável, principalmente em uma rota repleta de Pokémons selvagens. Não, não devo me preocupar com isso agora... tenho assuntos mais importantes a resolver.
    E vai apenas deixar a menina que se machucou para lhe salvar jogada à própria sorte? Uma voz teimosa em minha mente insistia em repreender. Balancei a cabeça para tentar expulsá-la, nunca deixei relações com outros seres vivos enraizarem dentro de mim, e não era naquele dia que isso mudaria.
    Por sorte, sons altos começaram a ecoar por entre as árvores, distraindo-me de meus próprios pensamentos. Gritos, pancadas, árvores sendo atingidas... eram sons de batalha. Apressei-me em direção a esses ruídos, imaginando se aquela não poderia ser uma boa oportunidade para testar minha força.
    Não tardei em chegar a um lugar onde as plantas eram mais espaçadas, permitindo uma maior mobilidade e clareando o ambiente. Exatamente por isso estranhei ver dois morcegos voando por ali, - um que parecia uma bola de pelos azul—claro com asas e outro mais esguio e de coloração escura - eles teoricamente eram adeptos de habitats com pouca luminosidade. O que estão fazendo fora da parte mais escura da floresta?
    Minha dúvida foi respondida quando um deles começou a bater suas asas violentamente, lançando uma rajada de vento cortante em direção ao chão, mais especificamente contra um pequeno urso que eu não havia notado até aquele momento. Ele saltou para fora do caminho, entretanto foi acertado pelo segundo morcego com algo que me pareceu um Wing Attack. Com um grito, o ursinho caiu no chão, rolando alguns metros pelo impacto.
    Dois contra um... não me parece muito justo. Decidi que aquela era a chance pela qual eu procurava: treinar e, ao mesmo tempo, reconstruir um pouco do meu orgulho. Quando os morcegos mergulharam para atacá-lo novamente, saltei da árvore de onde observava tudo e, com meu Vine Whip, tirei o pequeno do caminho daqueles dois.
    “A-ahn...? Quem é você?” Perguntou, me olhando com aparente confusão.
    “É assim que você agradece?” Minha resposta soou terrivelmente hipócrita até para mim mesma, pois eu havia feito o mesmo com Skitty algumas horas atrás. “Como você estava apanhando, decidi ajudar. Afinal, eles são dois.
    O ursinho parecia prestes a responder, desconfiado, mas os morcegos se recuperaram da surpresa e já avançavam contra nós novamente. Empurrei-o para que não fosse atingido por outra rajada de vento cortante (Air Cutter) e saltei ainda a tempo de desviar.
    “Ok, pode ser!” Gritou para mim, desviando com dificuldade do morcego mais escuro, que tentava acertá-lo com suas presas afiadas. “Eu sou Pancham! Esses dois aí são Woobat e Zubat. Só tente não morrer, eles são dois voadores e você é uma planta...
    “Diz isso o lutador...” Retruquei, reconhecendo o nome da espécie. Haviam alguns Pancham’s no laboratório.
    “Por que raios todo mundo pensa que eu sou macho!?” Seu protesto foi impedido pelo Woobat, que com um rápido bater de asas provocou uma forte ventania. Me escondi atrás da árvore mais próxima e puxei Pancham comigo, protegendo-o(a?) de quaisquer danos. “Gust, Gust... por que eles sempre têm que ter Gust?
    “Pode falar menos e lutar mais?” Reclamei, estava quase me arrependendo de ter me intrometido. Ao invés de se irritar, a panda sorriu, parecendo gostar do desafio. Quando a rajada de vento sessou, ela correu para detrás de um arbusto, escondendo-se ali.
    Ouvi um grasnar estranho e, ao me virar, deparei-me com Woobat se preparando para lançar um raio multicolorido contra mim. Desviei facilmente, por sorte era mais rápida que aquele morcego, e retribui com um Tackle. Ele voou mais alto, de forma que minha investida não poderia acertá-lo.
    Não sou tão tola... Ainda no ar, consegui pegá-lo desprevenido com meu Vine Whip, agarrando Woobat com de forma que suas asas ficassem presas. Com isso, não foi difícil jogá-lo contra o chão, assim como eu fizera com Pansear.
    Uma pequena nuvem de poeira se ergueu no lugar do impacto e o morcego emitiu um som agudo que me lembrou um pouco um grito de dor. Zubat, preocupado, espantou a poeira com uma leve ventania, revelando um Woobat desnorteado e ferido.
    “Te peguei!” Se aproveitando da distração o Pokémon venenoso, Pancham salta do arbusto e investe contra ele (Tackle). O ataque não causa muito dano, contudo pegou Zubat desprevenido, criando a oportunidade perfeita para que Pancham o acertasse com uma sequência de socos (Comet Punch). Com o último golpe, a lutadora lança-o contra o chão também, bem ao lado do Woobat.
    Sem dar tempo para que seus oponentes se recuperassem, Pancham correu até eles. Conseguiu golpear Zubat, que estava mais próximo, com uma violência quase exagerada (Slash), mas assim que se virou para acertar o outro, foi recebida por um vento cortante como uma lâmina (Air Cutter). Com um grito, ela rolou para trás pela força do vento, segurando firmemente sua barriga, que sangrava.
    As asas de Woobat começaram a emitir uma luz branca, provavelmente preparando um novo ataque, mas tratei de chamar sua atenção, acertando-o com meu Vine Whip. Apesar de ataques de planta não surtirem muito efeito em Pokémons voadores, consegui distraí-lo por hora de Pancham, que gemia de dor no chão.
    Talvez não tenha sido uma boa ideia... Pensei, ao ver aqueles dois morcegos que claramente possuíam a vantagem de elemento me adotando como alvo para seus ataques.
    Os olhos de Woobat começaram a brilhar em um tom rosa, e logo meu corpo foi envolto por uma aura da mesma cor (Confusion). Algum tipo de poder telepático me dominou, jogando-me bruscamente a alguns metros dali. Caí bem em cima de um arbusto espinhoso e senti alguns cortes e furos em minha pele, mas nem me importei. Eu tinha problemas maiores para lidar. Um Zubat furioso avançando contra mim, por exemplo, com suas presas tomadas por um brilho arroxeado (Poison Fang).
    Consegui desviar a tempo, apenas para ser pega por um pequeno tornado de vento formado pelo morcego peludo (Gust). Aquela forte ventania me arrancou do chão, me fazendo girar um pouco no ar antes de cair novamente, tonta. Zubat aproveitou-se da situação para se aproximar de mim me morder violentamente (Bite), ferindo-me ainda mais.
    A maior parte de minhas forças já havia se esvaído, eu não aguentaria outro ataque direto. Todavia, mesmo ferida, forcei-me a ficar de pé e encarei meus adversários com a maior bravura que consegui reunir. Aquele combate não valia apenas uma vitória, longe disso... os restos de meu orgulho fragmentado estavam em jogo, e deles eu não abriria mão. Mais do que nunca, eu almejava um triunfo. Não... eu precisava dele.
    Zubat avançou novamente, e com certa dificuldade consegui me esquivar. Para a minha sorte, meus oponentes estavam exaustos e (também) machucados, mais graças a Pancham que a mim. Isso tornava os movimentos deles mais lentos que o normal. Tendo isso em mente, subi na árvore mais próxima, arranquei dela dois frutos que não parei para identificar e, com meu Vine Whip, lancei um contra cada morcego.
    Irritados, os dois voaram em minha direção sem a menor cautela. Quando já estavam próximos demais para mudar de rumo, pulei da árvore, de forma que ambos colidiram fortemente contra o tronco. A queda me machucou um pouco pois não consegui cair em pé, entretanto isso não significou nada quando eu reparei que o choque direto havia nocauteado tanto Zubat quanto Woobat. O combate estava encerrado.
    Permiti-me deitar no pé da árvore, exausta. Sabia que estaria com sérios problemas se um deles acordasse e me encontrasse com a guarda baixa. Ainda estava ciente da presença de Pancham, que xingava e praguejava em algum lugar à minha esquerda. Mas nada daquilo me parecia importante. Naquele instante, apenas queria ter um merecido descanso.

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Última edição por Marisa Scarlet em Qui Ago 24, 2017 1:37 pm, editado 1 vez(es)
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Re: (Jornada) Marisa Scarlet

Mensagem por Cueio em Qui Ago 24, 2017 7:29 am

Saudações, irei agora avaliar a sua jornada. :cueio:

A história foi muito bem narrada, com descrição detalhada e um pouco de emoção. A batalha foi incrível, desde o jogo de estratégias até ao detalhe de cada ataque. Merece, sem dúvida, um ótimo. Porém, fiquei na dúvida se deveria contar como um ou dois treinos, e acabei por apenas contabilizar um devido à ajuda do Pancham na batalha. Caso tenha algum problema, no entanto, pode me contactar.

Nota: Ótimo
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Re: (Jornada) Marisa Scarlet

Mensagem por Marisa Scarlet em Sex Ago 25, 2017 2:06 pm

Spoiler:
Don't worry, eu fiz com a intenção de contar só como um treino mesmo. Nem me lembrava que podia fazer mais de um por post assim ^^'
Sei que a Megu já tá em nível de evoluir, mas eu não quero mesmo que ela evolua agora. Seria meio estranho ela evoluir no dia seguinte ao que começou a jornada, não se encaixaria direito na história e eu não vou muito com a cara de Servine. Tem como impedir que ela evolua agora, que nem nos jogos?
Ah, e era pra ser só um capítulo, mas ficou grande demais e eu parti em dois. Esse primeiro é só historinha, o outro já tem um treino.



♠ {Cap 5 – A ladra} ♠



      Infelizmente, não pude descansar por mais do que alguns minutos. Aqueles dois poderiam acordar a qualquer momento, e esse era um risco que eu não poderia correr. Meu corpo parecia pesar mais que o normal, contudo  forcei-me a levantar. Pancham não parecia em estado muito melhor, seu corpo estava coberto por ferimentos e sangue cobria sua barriga. Ao menos, o sangramento tinha parado.
    “Essa foi dura, hein?” Ela comentou, tentando não deixar transparecer em sua voz o quanto estava acabada. Não obteve grande sucesso. Pancham andou até um arbusto, que notei ser o mesmo atrás do qual ela se escondera antes, tirou duas Sitrus Berries dele e me ofereceu uma. “Eu não costumo dividir com os outros, mas estou te devendo depois disso.
    Aceitei, sem fazer nenhum esforço para continuar a conversa. Sentir o gosto da berry foi reconfortante, aquele sabor de difícil descrição me lembrou das tardes que eu passava no jardim do laboratório, sozinha em meio às plantas. Por um momento, quase pude sentir os raios de sol incidindo sobre meu corpo enquanto eu me deitava preguiçosamente na grama, só levantando quando chegava a hora do almoço.
    No entanto, toda a nostalgia não foi suficiente para me impedir de reparar em quatro furos estranhos que haviam na Sitrus Berry que Pancham me dera. Estes me lembraram estranhamente presas pontiagudas... olhei para Pancham, que comia a outra bem próxima a mim, e notei que a dela também possuía a mesma marca. Talvez Zubat tenha tentado pegar as frutas de Pancham, e por isso a luta começou...
    Era uma resposta cabível... todavia, um estranho pressentimento cresceu dentro de mim. Aproveitando a energia extra que a berry me dera, caminhei até o arbusto em questão. A pequena panda, de tão distraída que estava comendo, não percebeu até que eu já estivesse em frente a ele.
    “Ei, o que você está fazendo!?” Gritou, repentinamente alerta. Ignorei-a, dando a volta naquele emaranhado espinhoso e me deparando com um pequeno monte de berries escondido atrás dele. Deveriam ter pelo menos dez. Isso explicava o motivo de Pancham ter voltado para a batalha com tanta energia após se esconder ali, apesar de ter parecido tão abatida quando a vi pela primeira vez. “Fique longe delas! Já não basta o Woobat e o Zubat querendo as minhas berries, agora você também!?
    Então foi isso? Um confronto por comida? Algo ainda não me parece certo... Aproximei-me, examinando as frutas cuidadosamente. Quase todas apresentavam as mesmas marcas que a minha e, as que não as possuíam, estavam tão imaculadas que não pareciam ter sido arrancadas por um ser bruto como aquela Pancham. É quase como se... tivessem sido colhidas por poderes psíquicos...
    Recuei um passo, a verdade me atingindo como um raio. Olhei para a lutadora, que me encarava com um misto de desconfiança e agressividade, e pronunciei as derradeiras palavras:
    “Essas berries eram suas?” Ela engoliu em seco, percebendo pelo tom de minha voz que era fútil tentar desconversar. Mesmo assim, respondeu com surpreendente confiança:
É claro que são minhas!
    “Não coopero com mentirosos, muito menos com ladrões.” Minhas palavras foram firmes e frias. Com um rápido movimento, envolvi o corpo da panda com meu Vine Whip, prendendo-a. “Acredito que os verdadeiros donos ficarão felizes em ter suas berries de volta.
    Sangue começou a escorrer por meus cipós, e percebi que estava apertando o ferimento de Pancham com mais força do que seria necessário. No entanto não me importei com isso no momento, a frustração de saber que havia tomado partido no lado errado começava a tomar conta de mim.
    “Você acha mesmo que eles vão te desculpar? Você me ajudou... vão pensar que é uma ladra também!” Apesar de toda a dor que sentia, ela abriu um sorriso cínico. “Então me solta, eu dou umas berries pra você e depois sai cada uma pra um lado. Que tal assim?
    “Você me enoja!” Apertei um pouco mais o cipó, arrancando dela um gemido de dor. Eu estava decidida, iria esperar aqueles dois acordarem e tentar explicar a situação. Mesmo odiando dever satisfações a alguém, aquela situação era diferente de tudo que eu já havia vivenciado. Pancham provavelmente notou o que passava pela minha mente, pois logo sua postura mudou.
    “Espera, espera! Não faz isso! Vamos negociar!” Ela começou a desesperar, mas eu não sabia dizer se era por medo de encarar a fúria dos morcegos ou por algum outro motivo.
    “Não tenho nada para negociar com você. Fique feliz por eu lhe deixar viva.”
    “Não, é sério! Por favor, por favor! Eu faço qualquer coisa... mas me deixa ficar com essas berries!” Ignorei suas súplicas, até que uma em particular me chamou a atenção. “Só me deixa guardar as berries que eu volto com você pra esperar eles acordarem!
    “Tola. Nas condições em que você está?” Crente de que aquele era apenas mais um blefe de uma ladra desesperada, apontei para o corte em sua barriga. “Eles lhe matariam, e sabe disso. Se devolver as berries, talvez ao menos tenha alguma chance de viver.
    “Eu sei disso! Mas me deixa ir mesmo assim! Pode até ir comigo, pra ter certeza que eu não vou fugir. Por favor, por favor... me dá só uma chance...” E fechou os olhos, parecia prestes a chorar. Sua atitude estava transformada, nem parecia se tratar da mesma Pokémon. Surpresa com tamanha auto humilhação, pois havia percebido que aquela Pancham era tão orgulhosa quanto eu, decidi ver o que ela pretendia.
    “Seja rápida.” E liberei-a do aperto de meu Vine Whip. Ela andou até o monte de berries, fazendo uma careta de dor a cada passo, e juntou o maior número que pôde em seus pequenos braços. Pensei que iria comer alguma para lhe ajudar a se recuperar, contudo apenas olhou para mim e fez a última pergunta que eu esperava ouvir.
    “Pode me ajudar aqui? Pega as que sobraram, eu não consigo carregar todas sozinha.” Suspirei, perguntando-me quanta falta de vergonha cabia em um ser tão pequeno. Mesmo assim, peguei as frutas que Pancham não foi capaz de carregar. Devo estar louca por concordar com isso...
    “Mostre o caminho.”



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Re: (Jornada) Marisa Scarlet

Mensagem por Marisa Scarlet em Sex Ago 25, 2017 4:42 pm

Spoiler:
Obs: Coloquei esse tanto de inimigos só para dar um drama mesmo, mas o objetivo era fazer um só treino, afinal de contas nenhum deles foi derrotado.


♠ {Cap 6 – Apenas uma chance} ♠



Carregar uma dúzia de berries junto a uma ladra que me guiava por uma rota que eu não conhecia em direção a um destino que também me era desconhecido... essa não era exatamente a maneira que eu esperava passar meu dia. De fato, parecia uma loucura, ela poderia muito bem estar me levando para uma emboscada. Todavia, algo dentro de mim me mandava seguir adiante.
Que sensação esquisita... é isso que chamam de instinto? Como o ser racional que era, tomar decisões tão descuidadas não faziam parte da minha natureza. Eu mal conseguia me reconhecer.
Quando estávamos a uma distância relativamente segura do lugar onde havíamos deixado Woobat e Zubat, decidimos fazer uma pausa, ambas precisávamos descansar. Para recuperar minhas energias, pois ainda estava desgastada da batalha, comi uma Aguav Berry que encontrei em meio àquelas berries. Senti Pancham lançar-me um olhar nada amigável a cada mordida que eu dava, entretanto aquilo era a última de minhas preocupações no momento.
O gosto amargo da fruta me fez lembrar de que, em algum lugar daquela extensa rota, estava a humana que eu largara à própria sorte. E, talvez, com ela estivesse uma certa felina rosada que se esforçara tanto para nos ajudar. Com toda a confusão que sair por contra própria havia causado, eu estava começando a me perguntar se deveria ter ficado ao lado delas.
Ok, acabou a pausa! Vamos continuar!” Pancham exclamou, levantando-se com mais facilidade após tratar seus ferimentos. A astuta lutadora amassara algumas plantas e, dessa forma, fizera um tipo de gel. Ela usara um pouco para ajudar o corte em sua barriga a se curar mais rápido, mas me dera o restante, então não tive objeções.
Cer...” No entanto, antes que eu pudesse terminar de responder, minha atenção foi atraída pelo som de folhagem sendo amassada. Quase ao mesmo tempo, rosnados começaram a ecoar pela floresta, parecendo cada vez mais próximos. “Seja quem for, não é amigável...
Quem me dera fosse só um...” Resmungou Pancham, segurando protetoramente as berries contra si. “Se prepara!
Ela mal teve tempo de terminar de falar, logo um canídeo de coloração avermelhada saltou de dentre a vegetação densa. Não era muito grande, apenas um pouco maior que eu, mas sua postura agressiva e seus rosnados ameaçadores deixavam claro que aquele não era um encontro amigável. Em poucos instantes começaram a surgir outros, muito semelhantes ao primeiro, que fechavam o cerco ao nosso redor. Um, dois... são cinco...
Droga, Growlithes... estamos totalmente ferradas.” Pude compreender a apreensão na voz de Pancham. Não tínhamos como derrotar tantos.
O primeiro cão de fogo avançou, suas presas expostas e recobertas por uma camada de fogo (Fire Fang). Saltei para desviar, ainda segurando as frutas, mas fui surpreendida por um segundo Growlithe, que saltou contra mim e me mordeu (Bite). Ao menos não era um ataque de fogo, então não me machuquei tanto, contudo acabei deixando as berries caírem.
As berries! Pega elas!” Gritou Pancham enquanto desviava com esforço das constantes investidas dos canídeos, tentando ao máximo impedir que qualquer fruta caísse.
Você é louca!?” Gritei de volta, enquanto agarrava uma das patas de um Growlithe com meu Vine Whip, derrubando-o no chão e impedindo que ele me acertasse com outra mordida ardente. Todavia, mais dois cães colocaram-se na frente do caído, me forçando a recuar. “Temos que sair daqui! Não há como enfrentarmos tantos!
Como se confirmassem o que eu acabara de dizer, os Growlithes que não estavam se concentrando em mim avançaram contra Pancham, o primeiro mordendo (Bite) o braço da panda e o segundo jogando-se contra ela, seu corpo coberto por um círculo de fogo (Flame Wheel). A pequena lutadora caiu, deixando as frutas que segurava rolarem pelo chão.
O maior colocou duas patas em cima dela, impedindo-a de levantar, e vi uma grande quantidade de fogo se acumular em sua garganta. Nesse instante, decidi que era hora de interferir. Saltei sobre os cães que tentavam me atacar e, antes que o maior pudesse cuspir as chamas (Flamethrower) sobre a panda, lancei meu ataque. A folha em minha cauda emitiu um forte brilho verde e, girando-a rapidamente, um forte tornado de folhas acertou o Growlithe (Leaf Tornado).
Apesar da fraqueza de elemento, a mera força do impacto foi o suficiente para fazer Growlithe rolar para longe de Pancham. Os demais Pokémons de fogo correram na direção dele, que provavelmente era seu líder, para garantir que ele estava bem. Aproveitando-me da distração, agarrei o braço da lutadora, que já estava de pé e juntava algumas berries, e a puxei para longe dali.
Olhando para trás, apenas tive um leve vislumbre dos Growlithes se deliciando com as frutas antes que a imagem fosse bloqueada pelas árvores.
***

Pancham resistiu, praguejou, gritou para que eu deixa-se a voltar e recuperar as berries, tanto que tive que amarrá-la com meu Vine Whip enquanto caminhávamos. Precisei de todo o meu autocontrole para não estapeá-la. Por fim, a exaustão pareceu vencê-la e ela parou de reclamar. Ao invés disso, um olhar desolado apareceu em seu rosto e passou um tempo considerável em silêncio antes de voltar a dizer algo.
Você... me salvou...” Disse, sua voz estava fraca. Parecia ter se lembrado que impedi que aquele Growlithe reduzisse-a a carne de panda queimada.
Não se acostume.” Respondi, mantendo meu olhar fixo no caminho à nossa frente. “Agora vai me mostrar para onde suplicou tanto para ir ou eu preciso adivinhar?
Ela emitiu um som que soou quase como uma risada e assumiu a frente, guiando-me por dentre as árvores. “Não estamos longe.
Ótimo.” Disse, deixando Pancham se afastar alguns passos. “Não se esqueça... você tem apenas uma chance.



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Re: (Jornada) Marisa Scarlet

Mensagem por Cueio em Sab Ago 26, 2017 10:54 am

Saudações, irei agora avaliar a sua jornada. :cueio:

Mais um ótimo treino, parabéns! A história é interessante, bem narrada e prende o leitor. A batalha é dinâmica e detalhada, principalmente a parte do Leaf Tornado. O texto em si também está bem polido, deixando a leitura agradável. Continue assim!

Nota: Ótimo
Bônus: Megu recebeu 6 níveis (+1 graças ao bônus de classe; +1 graças ao evento Reborn); Personagem recebeu 4 níveis (+1 graças ao bônus de classe; +1 graças ao evento Reborn).

(PS: Na jornada o seu pokémon não evoluirá até fazer um texto de evolução, por isso não se preocupe muito com isso.)

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Re: (Jornada) Marisa Scarlet

Mensagem por Marisa Scarlet em Dom Out 08, 2017 12:37 pm

Spoiler:
Capítulo bem paradinho mesmo, não tem nada demais nem emocionante nele. Acho que tinha ficado um pouco melhor da primeira vez mas perdi e tive que reescrever tuuudo, na maior preguiça do mundo... então desculpa se tiver chato ^^'



♠️ {Cap 7 – Os três irmãos} ♠️


    Por sorte, realmente não faltava muito. Tirando uma pausa que fizemos pois Pancham insistiu em cobrir sua barriga com lama, de modo a esconder o machucado, andamos por aquela floresta sem mais nenhuma interrupção. Creio que não deviam ter se passado mais de dez minutos quando Pancham parou e, repentinamente, berrou um “cheguei!” com toda a força que suas cordas vocais permitiram.
    Por um instante apenas a encarei, confusa, mas logo ouvi os sons típicos de galhos sendo pisoteados e folhas sendo afastadas. Antes que me desse conta, estava diante de duas das últimas criaturas que eu esperava encontrar ali.
    Ambas eram muito semelhantes a Pancham, tendo como principal diferença o tamanho, pareciam versões em miniatura dela. O maiorzinho estava apoiado sobre a menor, a qual sustentava quase todo o seu peso, e tinha um olhar estranhamente vago, parecia alheio a tudo que acontecia. A menorzinha, por sua vez, abriu um grande sorriso ao ver Pancham.
    “Mana, mana! Você voltou!” Gritava, extasiada, provavelmente apenas não tinha se jogado em Pancham porque precisava sustentar o outro panda. Este, por sua vez, apenas balbuciou algo quase inaudível. Então, o olhar da menorzinha caiu sobre mim, curiosa. “Quem é esse?
    “Oi, maninha! Desculpa a demora.” Pancham riu diante da alegria da ursinha, e logo tratou de me apresentar. Ou tentar, ao menos. “Essa aqui é a... eh... uma planta legal que me ajudou!
    Ela não pode estar falando sério... Pensei, embora aquela irreverente apresentação fosse o que menos me importava naquela situação. O surgimento dos dois pequenos pandas me desconcertara completamente, minha mente lutava para encaixar todas as peças.
    Por favor, por favor! Eu faço qualquer coisa... mas me deixa ficar com essas berries!As palavras de Pancham ecoavam em minha cabeça, enfim o desespero que ela demonstrara fazia sentido. ‘Maninha’... ela estava... tentando conseguir comida para a família?
    “Oi, planta legal! Eu sou a Cham!” A pequenina me arrancou de meus pensamentos. Colocou o panda maior delicadamente sobre o chão e caminhou até mim, estendendo uma pata amigavelmente. “Muito obrigada por ter ajudado a minha irmãzona!
    “Megu.” Corrigi, retribuindo o cumprimento. Eu ainda me sentia desorientada com tantas reviravoltas em um período tão curto de tempo, no entanto não deixei transparecer. “Prazer em conhecê-la. Se importaria em me dizer o que sua irmã estava fazendo hoje?
    “Megu! Que nome bonito!” Ela saltitava de animação, não deveria estar acostumada a ver novas faces. “Mana foi buscar comida pra gente! Pra mim e pro Pan também!” E apontou para o outro, que continuava com a mesma expressão vazia.
    Aquela resposta me deixou calada, pensativa. No fim, talvez eu estivesse totalmente errada...
    Olhei para Pancham, que parecia um pouco desconfortável e evitava olhar na minha direção. Se era pelo acordo que fizemos ou por ter perdido o pouco que restava de sua postura de durona, todavia, eu não era capaz de dizer. Felizmente, fui poupada de responder quando o estômago de Cham roncou.
    “É hora de comer!” Exclamou alegremente a ursinha, saltitando sem sair do lugar. Se eu ainda tinha alguma dúvida de que se tratava de um filhotinho, sumiu naquele instante.


***

    Das frutas que tínhamos anteriormente, apenas três escaparam do ataque dos Growlithes. Pancham deu uma Cheri Berry para Cham, que comeu como se fosse a coisa mais deliciosa que já provara, e uma Oran para mim. Já com Pan, foi mais cuidadosa. Separou a fruta mais doce e começou a retirar dela pedaços pequenos, os amassando e colocando na boca dele logo em seguida.
    Sentei-me em uma pedra e passei alguns minutos observando a cena, surpresa. Pan era obviamente mais velho que Cham e, no entanto, aparentava ser incapaz de realizar até mesmo as tarefas mais simples e instintivas. Seu olhar vago e seus problemas motores não poderiam ser normais. Por um momento pensei que a interrogação estivesse visível em meio olhar, pois logo Cham veio falar comigo, porém bastou ela abrir a boca para eu perceber que o motivo não era aquele.
    “É tão legal ter alguém novo por aqui! É sempre só eu, mana e Pan, e mana sai muito.” Ela sentou do meu lado sem se importar em pedir permissão antes, acomodando-se na beirada da pedra e balançando suas perninhas.  “Eu nunca vi ninguém como Megu antes! Você é uma planta mesmo?
    “Sou um Pokémon de planta. Alguns chamam minha espécie de Snivy, outros de Tsutarja, você pode escolher.” Respondi, tentando não demonstrar com aquela súbita aproximação me deixara desconfortável. Como Cham era amigável e claramente ingênua, imaginei que poderia extrair dela as informações das quais eu precisava. “Então vocês não recebem muitas visitas, correto?"
    “Quase nunca... Megu foi a primeira em muito tempo!” Ela respondeu energeticamente, mal conseguia conter sua empolgação. “Eu nunca ouvi falar de um Pokémon de planta! Você dá frutas gostosas também? Que nem as árvores?
    “Não, não sou uma planta... apenas possuo afinidade com esse elemento, tenho algumas características dele. E dar frutos não está entre elas, infelizmente.” A cada palavra que eu dizia, os olhos de Cham brilhavam como se aquela fosse a coisa mais interessante que ela já tinha ouvido. “Essa floresta certamente é repleta de Pokémons, por que não recebem visitas?
    Pela primeira vez desde que a conhecera, a atitude alegre de Cham pareceu vacilar. Ela se deitou na pedra, o olhar perdido no céu. “Porque mana diz que é perigoso. Que tem muito Pokémon malvado que pode machucar a gente. Que nem fizeram com o Pan....
    “O seu irmão... o que ele tem?” Perguntei, tentando ignorar a incoerência na fala da panda. Tirando aqueles Growlithes, a única ali que eu tinha visto começar uma briga fora a própria Pancham.
    “Eu não sei, nem mana sabe. Um dia ele só sumiu... ficou muito, muito tempo longe da gente... e estava assim quando achamos ele.” Ela suspirou, infeliz. “Pan sempre defendia a gente... ele era tão legal e gentil, o irmão perfeito! Mas... agora parece que nem se lembra mais da gente...
    Apesar de sempre ter me considerado individualista, me arrependi por ter insistido no assunto assim que vi a carinha tristonha que Cham fez. Cuidar dos sentimentos alheios não é uma tarefa fácil para mim, não faz parte da minha natureza, mas isso não significa que  eu sinta algo bom em entristecer criancinhas.
    “Megu... Megu já conheceu muitos lugares?” A pergunta me pegou de surpresa, tanto que demorei alguns instantes para processá-la.
    “Não, não muitos. Cresci em um laboratório, mas agora provavelmente terei que viajar pela região inteira. Até o momento, apenas conheci uma cidade e essa floresta.
    “Labo... laborabólio?” Ela pronunciou sofregamente, forçando sílaba por sílaba. Claro que um filhote desses não conhece as construções humanas, tola...
    “Laboratório, na verdade. Mas não se preocupe, não acho que verá algum dia... então não precisa aprender o nome.
    Eu quero! Quero ver um laboladório!” E de novo era a Cham energética e animada que eu conhecera. “Um dia, quero viajar esse mundo inteiro também! Conhecer lugares, fazer amiguinhos novos! E vou achar um jeito de trazer o Pan de volta!
    Ela se levantou, erguendo seu pequeno punho para o céu e abrindo um sorriso que esbanjava confiança. Involuntariamente, sorri comigo mesma. Aquela pequenina ainda tinha muito a aprender, isso era fato; o doce véu da ingenuidade ainda cobria seus olhos. No entanto, era dele que Cham tirava coragem para superar a dificuldade – e essa coragem era a principal coisa de que ela precisaria para conhecer o mundo na sua forma mais crua.



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